
Jovem mineira busca ampliar discussão de gênero no palco
A estudante de teatro Isabela Lima Santos destaca a quantidade de grupos teatrais dedicados à pauta LGBTQIAPN+ e se diz disposta a contribuir com o movimento artístico
As histórias com personagens LGBTQIAPN+ na TV, no teatro e no cinema ganham mais espaço com a celebração do Dia Internacional do Orgulho LGBT (28). Em Uberlândia (MG), a estudante Isabela Lima Santos, de 23 anos, divide seu tempo promovendo espetáculos e concluindo seu curso de Teatro na Universidade Federal de Uberlândia (UFU).
Apesar das peças da jovem não serem apenas focadas na temática LGBTQIAPN+, ela demonstra desejo em contribuir com a comunidade, realizando pesquisas de campo com personalidades de seu território ou produzindo artigos com foco no movimento.
O interesse ganhou força após concluir o curso “Dramaturgia pluriversal 1 – narrativas LGBT+”, da Escola Fundação Itaú. O conteúdo aborda a participação dessa comunidade no teatro e no audiovisual, além de mostrar coletivos dedicados à divulgação da dramaturgia LGBTQIAPN+.
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Durante a formação, chamou a atenção da estudante a quantidade de coletivos artísticos que realizam apresentações pelo Brasil. Segundo ela, esses grupos dão espaço para personagens, principalmente de pessoas trans, a levarem para o palco seus relatos pessoais, tornando a peça algo íntimo entre o artista e o público.
No entanto, ela reflete que as narrativas apresentadas ainda trazem personagens pouco desenvolvidos e restritos à abordagem de gênero, sem explorar pontos como o trabalho, a convivência, o relacionamento ou outros desafios comuns. “Vejo muitas narrativas no cinema e na TV do público LGBTQIAPN+ com finais trágicos. Ou, em outros casos, figurantes que não recebem espaço em tela ou no palco para seu desenvolvimento. No fim, sinto que histórias dessa comunidade não têm muitos finais felizes”.
Em cima dos palcos
A jovem conta que, ao longo da graduação, se apresentou em diferentes espaços de Uberlândia (MG). Embora a cidade tenha um teatro municipal, a maior parte dos espetáculos de sua turma ocorreu dentro da universidade, em companhias de teatro ou em escolas públicas localizadas, principalmente, nas periferias do município.
Outro desafio era a formação de público. Em geral, os espetáculos eram prestigiados por pessoas que já acompanhavam a cena teatral local. “Quando fazíamos as peças, nosso público era composto por universitários do próprio curso”, conta. “As pessoas costumam ir apenas ao Teatro Municipal, muitas vezes, somente quando há artistas conhecidos em cartaz”.
Apesar das dificuldades, estudantes da turma de Isabela e da Licenciatura da universidade desenvolveram um projeto voltado aos alunos da rede pública. As apresentações eram gratuitas, mas, para viabilizar os gastos de produção, cenografia, figurinos, transporte e alimentação, o grupo promoveu rifas e sorteios entre familiares, amigos e seguidores nas redes sociais.
A iniciativa garantiu a plateia cheia de adolescentes e jovens ao longo de várias semanas, que puderam prestigiar o grupo de Isabela. Na montagem, a estudante interpretou Pantalone, personagem tradicional da Commedia dell'Arte, gênero teatral marcado pela improvisação. A apresentação reunia elementos das peças “O que foi dado por morto" e "A que foi dada por morta”.