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Às margens do São Francisco, educação vira ferramenta de preservação

De Sergipe a Bahia, o pedagogo Raul Soares visita comunidades indígenas e ribeirinhas, trocando experiências e realizando ações de educação ambiental


O São Francisco é o maior rio totalmente brasileiro, com cerca de 2,8 mil quilômetros de extensão, atravessando os estados de Minas Gerais, Bahia, Pernambuco, Alagoas e Sergipe. Pela sua relevância para a região, a vida de muitas comunidades e de animais silvestres se organizam em torno de seu leito, o que, em alguns casos, pode levar a uma convivência conflituosa dos moradores com a fauna e a flora local.

O trabalho desenvolvido pelo educador Raul Soares é justamente para evitar esse embate, dedicando seu tempo a promover projetos de conscientização ambiental em comunidades do entorno do Rio São Francisco. As ações realizadas pelo pedagogo misturam conteúdos teóricos sobre a biodiversidade local e atividades práticas, como jogos da memória e de dominó, pinturas e gincanas. 

“Busco realizar as atividades de educação ambiental nas escolas. No entanto, nas comunidades indígenas e ribeirinhas que não possuem unidades de ensino, promovemos o projeto em associações ou em espaços públicos”, conta Raul.

Uma iniciativa de destaque foi o jogo “Navegando pelo velho Chico”, que mistura aspectos culturais, históricos e ambientais existentes ao longo da bacia do Rio São Francisco. Na dinâmica, as crianças precisam responder aos desafios que os moradores e as espécies enfrentam na região.

O educador também realiza formações com os professores de escolas públicas, apoiando-os na realização de propostas pedagógicas com foco na valorização do meio ambiente junto aos estudantes.

O desafio profissional motivou Raul a retornar aos estudos. “Eu precisava me atualizar em relação a ferramentas diferentes, então decidi fazer um curso para me auxiliar na execução do meu trabalho”. A formação escolhida foi “Economia Criativa na Educação Profissional e Tecnológica (EPT)”, oferecida gratuitamente na Escola Fundação Itaú.

O curso oferece aos interessados a compreensão de práticas pedagógicas que integrem criatividade, tecnologia e território, favorecendo a aplicação do conteúdo no cotidiano da comunidade.

A formação ainda relaciona as novas tecnologias ao mercado de trabalho, algo que Raul compreendeu que é possível, mesmo em lugares mais afastados. “Muitas comunidades já têm acesso à internet, mesmo que sejam remotas. Em razão da distância, porém, há uma dificuldade considerável na obtenção de celular e computador, assim como na  reposição de peças”.

Início de sua trajetória
A transposição do Rio São Francisco interligou as bacias hidrográficas do Sudeste, Centro Oeste e Nordeste, ampliando seu alcance para mais três estados: Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará. O objetivo é garantir a segurança hídrica aos moradores do semiárido nordestino. No entanto, esse movimento alterou parte do ecossistema da região, impactando o comportamento dos animais silvestres.

Para minimizar essa perturbação ambiental da transposição do Rio São Francisco, o pedagogo Raul Soares se junta a organizações ambientalistas, atuando no cuidado de espécies nativas da região, como capivaras, araras e jabutis. Outro trabalho da organização é resgatar gatos e cachorros “vagantes”, conhecidos popularmente como “animais de rua”, e solicitar à gestão o encaminhamento deles para centros de cuidados ou adoção.

A vivência na organização permitiu que ele conhecesse culturas quilombolas, indígenas e ribeirinhas que vivem às margens do Rio São Francisco, nos estados de Sergipe e da Bahia. Ao sair das organizações de cuidado com os animais, Raul conseguiu dedicar mais tempo ao exercício de sua vocação de pedagogo, realizando trocas de experiências com as comunidades.

“Meu trabalho é muito voltado para esse público de comunidades tradicionais, apoiando-as no conceito de educação ambiental comunitária. O foco nessa população é justamente pela compreensão de que está integrada ao meio ambiente, contribuindo com o equilíbrio e proteção ambiental”, conta Raul.

Escola Fundação Itaú
A Escola Fundação Itaú completou um ano no segundo semestre de 2025. Apenas neste período, mais de 370 mil estudantes tiveram acesso a cerca de 150 cursos. A plataforma surgiu da integração das antigas Escola Itaú Cultural e o Polo, ambiente de formação do Itaú Social.

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