Pesquisa mostra pouca presença de jovens negros em ocupações de maior salário
O estudo foi realizado com base nos dados da PNAD Contínua, RAIS, Censo Escolar e Censo da Educação Superior
Embora o acesso de jovens negros entre 15 a 29 anos à educação tenha aumentado, a inclusão profissional não acompanhou esse avanço, com as mulheres sendo o grupo mais afetado por essa falta de mobilidade social. O resultado faz parte do estudo “Juventudes Negras e Empregabilidade” promovido pelo Observatório Fundação Itaú e pelo Pacto de Promoção da Equidade Racial.
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Os dados do levantamento apontam que a presença de jovens negros é 80% menor nas ocupações de maior salário, especialmente em engenharia, direito e tecnologia. O resultado indica um “teto racial” para a mobilidade social no país, como explica Gilberto Costa, diretor-executivo do Pacto de Promoção da Equidade Racial.
"O Brasil está formando uma geração de jovens negros altamente qualificados, mas o mercado ainda não os absorve com equidade. Isso representa não apenas uma injustiça social, mas também uma perda econômica”, afirma.
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Para chegar a essa conclusão, o cálculo da pesquisa considera “-1” como indicativo de baixa proporção de pessoas negras em determinada escolaridade, enquanto o valor “1” corresponde à representação excessiva desse grupo em relação ao nível de escolaridade. O resultado zero, por sua vez, indica equidade racial.
O ponto de destaque do estudo revela que, enquanto o índice de exclusão no mercado formal de trabalho era de 0,01 para profissões que exigiam o ensino fundamental completo (indicando certa equidade), nas áreas que pedem pós-graduação e graduação as variações eram de -0,38 e -0,29, respectivamente.
Mesmo ao incluir trabalhadores informais na análise, o índice de exclusão ainda se mantém elevado, aproximadamente -0,23. Neste sentido, os jovens negros com ensino fundamental (incompleto ou completo) permanecem mais próximos da equidade racial no mercado de trabalho, enquanto aqueles com maior escolaridade enfrentam barreiras mais intensas, mantendo as pessoas negras predominantemente em cargos de baixa hierarquia e remuneração.
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Mulheres negras
O quadro é ainda mais grave sob uma perspectiva de gênero, em que o índice de exclusão das mulheres negras era de aproximadamente -0,33 para áreas que envolviam pós-graduação, cerca de -0,31 para superior e -0,37 para o ensino médio. Por outro lado, quando as jovens negras superam as barreiras de acesso à universidade, apresentam melhores resultados em comparação aos demais níveis analisados.
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Próximos passos da pesquisa
A próxima etapa da “Juventudes Negras e Empregabilidade” será de escuta ativa com jovens negros de todo o Brasil. Grupos como mães solo, pessoas LGBTI+ e periféricas serão ouvidos para mapear como diferentes aspectos — racismo, violência urbana, mobilidade, saúde, entre outros — impactam suas trajetórias educacionais e profissionais.
Dados do estudo
A pesquisa é um recorte do IEERJN (Índice ESG de Equidade Racial da Juventude Negra) de 2023, realizado com base nos dados da PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) Contínua, RAIS (análise por escolaridade no mercado formal), Censo Demográfico e Censo da Educação Superior.
