
Mais tempo na escola eleva em cerca de 10% a proficiência dos estudantes
O resultado faz parte de um estudo da Fundação Itaú, que analisa diferentes pesquisas e experiências sobre jornada integral nas escolas
Uma avaliação da Fundação Itaú mostrou que estudantes matriculados em escolas de tempo integral apresentam proficiência entre 9,5% e 11,5% superior à de colegas com jornada parcial. A celebração do Dia Nacional da Educação (28), somada ao ano eleitoral no Brasil, reforça o debate sobre a necessidade de políticas públicas que ampliem a permanência dos estudantes na escola.
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De acordo com o material, o percentual apresentado representa um ganho equivalente a cinco pontos na escala do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), tanto em matemática quanto em língua portuguesa.
Outro resultado positivo relacionado a maior jornada de estudo é a melhora de 1,1% no fluxo escolar, o que significa um crescimento na aprovação anual dos estudantes. O dado representa aumento de 0,15% no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), que combina a taxa de aprovação com o nível de aprendizagem.
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O maior tempo de permanência na escola também está relacionado a outros benefícios que vão além da aprendizagem. No entanto, o material reconhece a importância de realizar pausas adequadas e atividades diversificadas, especialmente para as crianças pequenas, pois as jornadas muito longas podem gerar fadiga e diminuir o engajamento.
A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) reforça a importância de diferentes momentos de aprendizagem, incorporando, por exemplo, as diferentes linguagens artísticas como componente curricular. O objetivo é promover os diversos modos de expressão e fomentar a participação cultural e a expressão criativa como competências essenciais para o desenvolvimento dos estudantes.
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O material reúne dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), Conselho Nacional de Educação (CNE) e Ministério da Educação (MEC) sobre educação integral. O objetivo é avaliar como o modelo de ensino pode contribuir para a formação de crianças, adolescentes e jovens, além de estimular a redução das desigualdades sociais e educacionais no Brasil.
Experiências nacionais e internacionais
No Chile, a ampliação do tempo de permanência dos estudantes apresentou efeitos positivos, sobretudo em escolas públicas e em áreas rurais. O país possui a maior jornada escolar da América Latina, com 31 horas semanais, resultado da adaptação de unidades escolares já existentes, sem priorizar a construção de novos prédios.
A expansão de 20% na cobertura de escolas em turno integral gerou impactos também fora da sala de aula, reduzindo em cerca de 5% a probabilidade de maternidade na adolescência e diminuindo a ocorrência de delitos juvenis.
Resultado semelhante foi observado em Pernambuco, onde houve redução entre 30% e 50% nas taxas de homicídio entre jovens. O efeito coincidiu com a expansão do programa de educação em tempo integral no estado, entre 2004 e 2014, período em que os municípios com maior número de matrículas nessa modalidade registraram as maiores quedas nos índices de homicídio.
Já em São Paulo, após a implementação do Programa de Ensino Integral, em 2011, a rede estadual registrou aumento de 2,12% na probabilidade de matrículas no Ensino Médio, contribuindo para a redução da evasão escolar em 1,69% ao longo dos anos finais do Ensino Fundamental.