
Quase 90% dos brasileiros frequentam atividades culturais presenciais
Pesquisa Hábitos Culturais aponta alta de quatro pontos percentuais em relação a 2025, com shows musicais e centros culturais à frente do crescimento
A 7ª edição da Pesquisa Hábitos Culturais revelou que 88% dos brasileiros realizaram alguma atividade cultural presencial nos últimos 12 meses. O percentual é quatro pontos maior do que o registrado em 2025 (84%). A principal motivação, segundo os entrevistados, é o desejo de conhecer novos lugares. A pesquisa também mostra que 59% realizam ao menos uma atividade cultural presencial por mês.
Shows musicais e centros culturais foram os que mais expandiram o público, passando de 45% para 51% e 26% para 32%, respectivamente. Outros espaços que se destacaram foram os museus (de 16% para 21%) e as exposições de arte (de 27% para 31%).
Os eventos ao ar livre em espaços públicos, entretanto, seguem como a atividade cultural presencial mais realizada pelos brasileiros. Segundo o levantamento, o percentual de pessoas que frequentaram algum evento em espaço público nos últimos 12 meses subiu de 61% para 63%.
Uma novidade desta edição foi a inclusão de lugares ligados ao patrimônio histórico e de manifestações de origem popular. Neste novo recorte, 38% participaram de ações culturais em pontos de cultura ou espaços comunitários, 30% frequentaram rodas de samba, pagode ou choro, 10% estiveram em slams de poesia e batalhas de rimas e 9% foram aos bailes funk.
Outras iniciativas com boa presença de público são as festas populares, típicas e folclóricas (45%), cinema (39%) e atividades infantis (37%).
Pouco acesso
O crescimento da participação do público ocorreu em todas as classes econômicas. Mesmo assim, brasileiros de menor poder aquisitivo ainda têm menor acesso ao consumo cultural em comparação aos de maior renda. A distância na ida ao cinema, por exemplo, foi de 45 pontos percentuais entre as classes A/B (63%) e D/E (18%).
As diferenças também aparecem nas visitas ao teatro, que alcançam 41% entre as classes A/B contra 17% na D/E, e aos museus, com 35% e 14%, respectivamente. A desigualdade aparece também em outras atividades, como eventos ao ar livre (74% e 52%), centros culturais (47% e 27%) e bibliotecas (39% e 16%).
Atividades culturais não presenciais
Já o consumo de atividades culturais não presenciais registrou poucas mudanças, com algumas oscilações positivas em assistir filmes em plataformas de streaming e séries on-line, que avançaram de 74% para 76% e 70% para 73%, respectivamente.
Ouvir música on-line permaneceu como prática mais mencionada pelos brasileiros, com 85%, mesmo percentual da edição anterior. Outras iniciativas foram novelas (56%), livros impressos (54%), podcasts (54%), jogos eletrônicos (43%) e ebooks (38%).
Em geral, as atividades culturais em casa ou on-line são mais realizadas entre residentes nas regiões metropolitanas, pessoas que se autodeclaram brancas e com maior escolaridade e classe econômica.
Motivação
O principal motivo apontado pelos entrevistados para realizar atividades culturais é o desejo de conhecer novos lugares. Em comparação com a última edição do levantamento, o índice daqueles que apontaram sair de casa para descobrir outros ambientes subiu de 40% para 48%, ficando acima da razão de relaxar e diminuir o estresse, que manteve o mesmo percentual (44%).
Outras motivações que subiram foram a aquisição de conhecimento, de 34% para 37%, ter novas experiências, de 34% para 38%, e conhecer outras pessoas, de 24% para 27%.
Segurança e questões financeiras
A menção à insegurança e à violência como fatores que desestimulam a realização de atividades culturais presenciais caiu nas três últimas edições e, em 2026, aparece em segundo lugar, citada por 30% dos entrevistados. O índice fica atrás apenas das questões financeiras, apontadas por 35% do público.
Entre aqueles que destacaram a insegurança, o maior medo é o risco de assaltos ou furtos na região dos eventos, com 47% das respostas. A falta de policiamento nas proximidades é mencionada por 43% e o risco de furtos ou assaltos no trajeto foi apontado por 29%. Entre os que mencionaram insegurança, violência contra mulheres ou assédio nos espaços culturais foi citada por 27%, ante 21% no levantamento anterior; entre as mulheres, o índice chega a 38%.
Sobre a Pesquisa Hábitos Culturais
A 7ª edição da Pesquisa Hábitos Culturais é uma realização do Observatório Fundação Itaú, com apoio técnico do Datafolha. O levantamento ouviu homens e mulheres de 16 a 65 anos, das classes A, B, C e D/E, residentes em todas as regiões brasileiras. Foram realizadas 2.448 entrevistas presenciais e individuais em 137 municípios, entre 7 e 20 de julho de 2026. A margem de erro para o total da amostra é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.