
Programa Locus seleciona dez iniciativas para programa de fortalecimento ao jornalismo local
Evento no Rio de Janeiro incentiva o fomento, desenvolvimento e a conexão de veículos de comunicação
Nesta segunda-feira (28), a Fundação Itaú anunciou os dez selecionados do Programa LOCUS, iniciativa dedicada ao fomento, desenvolvimento e à conexão de organizações de jornalismo independente. A divulgação dos projetos ocorre durante o evento Redes de Narrativas e Territórios, realizado no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro (RJ).
O programa prevê fortalecer o jornalismo local, periférico e independente. As mídias selecionadas receberão apoio e fomento pelo programa nos próximos dois anos, além de ter acesso a espaços de troca de experiências com outras iniciativas.
Confira os selecionados:
A Lente: é uma organização independente de jornalismo socioambiental e fotodocumentarismo, criada em Cuiabá (MT), há cerca de nove anos. Ela produz reportagens, fotografias e narrativas audiovisuais sobre as transformações sociais, culturais e ambientais da Amazônia, do Cerrado e do Pantanal.
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Coletivo Força Tururu: é uma organização fundada em 2008, em Paulista (PE), como resposta ao estigma e às representações negativas atribuídas à comunidade pela grande mídia. O coletivo atua com a comunicação popular, formação e incidência, fortalecendo vozes periféricas e produzindo narrativas sobre os territórios a partir de suas próprias vivências e perspectivas.
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Coletivo Maré Cheia: é um coletivo e produtora de comunicação que desenvolve estratégias, conteúdos e projetos para organizações do terceiro setor, movimentos, coletivos, sindicatos e iniciativas culturais, sociais e ambientais, especialmente na Amazônia. Também cria e produz projetos próprios de educomunicação, formação e comunicação popular e comunitária.
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Coletivo de Mídia Independente e Popular Sargento Perifa: é um veículo de jornalismo independente nascido na comunidade do Córrego do Sargento, em Linha do Tiro, no Recife (PE), em 28 de maio de 2020. A organização atua com pesquisa de dados territoriais, comunicação e educação popular, trabalhando o letramento racial, midiático e político para pessoas moradoras de comunidades periféricas.
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Entre Becos: é um grupo formado por jornalistas, fotógrafos, produtores culturais e cientistas sociais que residem em bairros populares de Salvador (BA). Por meio do jornalismo local, o veículo conta histórias a partir da perspectiva e da vivência de quem mora nessas regiões.
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Mangue Jornalismo: é uma organização de comunicadores em Sergipe, sem fins lucrativos e que oferece cotidianamente reportagens investigativas, independentes e de grande impacto no estado, com linha editorial conectada aos Direitos Humanos.
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Puxirum do Bem Viver: é um coletivo socioambiental de jovens ativistas que se uniram diante da crise socioeconômica da Covid-19 para fomentar a segurança alimentar de comunidades indígenas em vulnerabilidade social em Manaus (AM).
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Redes do Beberibe: é um coletivo de mídia baseado no Estado de Pernambuco, com atuação em prol das comunidades da bacia hidrográfica do rio Beberibe (PE). A região é formada por morros, córregos, planícies e alagados, nas periferias de Recife (PE) e Olinda (PE), onde residem cerca de 500 mil pessoas.
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Rede Katahirine: é uma articulação formada por mulheres indígenas de diferentes povos, territórios e regiões do Brasil que atuam no audiovisual como realizadoras, produtoras, pesquisadoras, curadoras, comunicadoras e profissionais de diversas áreas.
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Resistência Cultural Upaon Açu - Reocupa: é um coletivo mobilizador e um espaço plural, aberto às diversas manifestações artísticas e culturais. Sua atuação busca democratizar o acesso à arte, à cultura e à educação, promovendo novas perspectivas coletivas e contribuindo para transformar as formas de viver e coexistir em sociedade.
Após o anúncio dos selecionados, os participantes do evento acompanharão o painel de debate “Reencantar o Jornalismo a partir do local”. O objetivo do diálogo é explorar como a comunicação é feita a partir dos territórios, considerando as perspectivas periféricas, quilombolas, comunitárias e indígenas.
Participam do encontro Rene Silva, jornalista e fundador do Voz da Comunidade; Daiene Mendes, diretora programática do Fundo de Apoio ao Jornalismo (FAJ); Jessica Botelho, pesquisadora do Atlas de Notícias; Higor Torres, da Kalunga Comunicações; e Luciene Kaxinawá, da ABRINJOR (Articulação Brasileira de Indígenas Jornalistas).
“As iniciativas de comunicação comunitária são muito importantes para os nossos territórios, para que a gente possa continuar reivindicando melhorias para dentro das favelas. O nosso objetivo principal é o que mantém a gente de pé”, comenta René Silva, do Jornal Voz das Comunidades.
Luciene Kaxinawá, da ABRINJOR, complementa: “Reencantar o jornalismo a partir do local é reconhecer quem vive no território também como produtor de conhecimento e da narrativa. Como jornalista e indígena, acredito que existe uma diferença muito importante entre falar sobre o território e falar a partir desse território”.
Para Aninha de Fátima, superintendente de conhecimento e estratégia institucional da Fundação Itaú, fortalecer organizações que produzem informação a partir de seus territórios não só contribui para a sustentabilidade do ecossistema mas, sobretudo, é um vetor de manutenção da democracia. Por isso iniciativas como o Locus são tão importantes.
“O encontro reúne organizações parceiras e diferentes atores do ecossistema da mídia independente para discutir caminhos de fortalecimento e sustentabilidade do jornalismo produzido nos territórios. A partir daqui, iniciaremos uma jornada de dois anos com as iniciativas selecionadas”, explica.
Programação do evento
O evento Redes de Narrativas e Territórios também apresentará ao público o novo dossiê “O futuro é local”, produzido pelo Fala Roça e pela Agência Mural, em parceria com a Fundação Itaú. A publicação reúne reflexões, propostas e aprendizados construídos ao longo da 3ª Conferência de Jornalismo das Favelas e Periferias.
Outra novidade será o lançamento do “Manual de Redação”, que reúne referências históricas e técnicas para orientar práticas jornalísticas antirracistas. O material foi desenvolvido pelo Alma Preta, em parceria com a Fundação Itaú, e busca contribuir com jornalistas e profissionais da comunicação que desejam praticar um jornalismo comprometido com o respeito à etnia e à diversidade racial.
WhatsApp da Fundação Itaú
A Fundação Itaú conta com um canal no WhatsApp para que o público fique por dentro das novidades sobre cultura e educação. Por lá, o usuário recebe em primeira mão atualizações diárias sobre a instituição, como cursos da Escola Fundação Itaú, dicas de programação cultural, lançamentos de editais e muito mais. O acesso à comunidade pode ser realizado pelo link.